Sunday, October 29, 2006

The Phantom of the Opera


"...Close your eyes for your eyes will only tell the truth
And the truth isn't what you want to see
In the dark it is easy to pretend..
That the truth is what it aught to be..."

"...Feche os olhos pois eles só dirão a verdade
E a verdade não é o que você quer ver
No escuro É facil fingir
Que a verdade é o que ela deve ser..."


."...Floating, falling, sweet intoxication
Touch me, trust me, savour each sensation
Let the dream begin, let your darker side give in
To the power of the music that I write
The power of the music of the night..."

"Flutuando, caindo em doce intoxicação
Toque-me, confie em mim saboreie cada sensação
Deixe o sonho começar deixe que seu lado sombio seja vencido
Pelo poder da música que eu componho
O poder da Música Da Noite..."

"IT'S OVER NOW, THE MUSIC OF THE NIGHT"
"Agora é o fim da música da noite "

Thursday, October 26, 2006

Ladainha

Breno amava Flor que adorava Pedro que amava Carina que amava Alfredo que não amava ninguém.
É assim?
Mas Alfredo talvez ame Carina que ama todos, que já amou Pedro que adora Flor que não quer saber a quantas anda seu amor por Breno que ainda ama Flor.
Mas Flor fere Breno
Breno fere Flor
Alfredo fere Carina
Carina fere Pedro
Pedro fere Flor
Quem fere Alfredo?
Pedro gostaria, mas aguarda chegar a vez que Carina irá ferí-lo.
Flor sonha
Breno vinga
Carina joga
Pedro seduz
Alfredo curte

Ainda tem as Marias e Antônios que amam Alfredo, Josés que amam Flor, Patis que amam Breno, Armandos que amam Carina e Anas que sonham com Pedro.

Nesse rolo que é a vida no final das conta ninguém é de ninguém. Dane-se se sofremos, isso quer dizer que amamos. Seria muito sem graça a vida se não fosse assim. Não se pode fugir de sentir, triste quem vive assim.

Thursday, October 19, 2006

Nalgum Lugar

Gil acaba de chegar do ginásio, mais uma etapa do campeonato que tá animando toda a faculdade. Não conseguiu ficar até o final. Infelizmente, pois o último jogo seria o mais divertido. Não consegue mais se divertir com essas coisas tão superficiais. Acaba de chegar, mas não em sua casa, onde a estão esperando como sempre. Foi para um abrigo, um esconderijo, que nos últimos tempos tem sido muito mais interessante que outro lugar qualquer. Engraçado isso, principalmente porque foi pra lá para ficar sozinha, tranqüila, coisa que não era de seu feitio.

Há alguns dias atrás, Gil conversava com seus amigos a respeito do que levaria uma pessoa a ser um eremita. Não concordava com essa atitude, achava egoísmo demais uma pessoa se isolar da sociedade, privando a si mesma e aos outros das trocas de experiências, da convivência e de contribuir de alguma forma. Mas logo começou a pensar diferente.

- Que sentimento insuportável! Por que as pessoas têm que se intrometer tanto na vida das outras? Cada um sabe de si, mas não, nunca é assim. Preocupação com números, cifras, de quem é ou deixou de ser a culpa, por que sim, por que não, quando foi, se foi, coitadinho, que canalha, julgamentos estranhos de quem não tem nada com isso e não tem esse poder de julgar. Aliás, ninguém tem o direito de julgar ninguém, não deveria ser assim. E ninguém, a não ser eu sabe de mim, sabe o que se passa aqui dentro, conhece o movimento interno que motiva minhas ações. E ninguém tem que saber a não ser que eu queira.

Não, não é hipocrisia, Gil sempre conviveu com isso levando numa boa, achando normal, pois o ambiente de pessoas que se dizem normais é assim. Preocupações tolas. Mas de um tempo pra cá vem aprendendo a odiar isso. Pra todo lugar que olha percebe isso nas pessoas. E olha pra elas não com raiva, pois sabe que elas não compreendem o que compreende. Elas não fazem questão de se libertarem desse tipo de comportamento, ou simplesmente não conseguem, de tão enraizado está. Olha para as pessoas com vontade de sumir, pois está rodeada de tudo que causa esse grande incomodo interno. Gigante, enorme, insustentável, indefinível.

Pega suas coisas, que de tantas eram, conseguiu resumir em uma mochila, escolhe um livro para acompanhá-la, o livro mais universal de todos, que não vai deixar de ser atual e interessante nunca. Deixa seu abrigo, pois sabe que não é seu.

Ninguém mais teve notícias de Gil. Não sei se enfiou num desses lugares lindos que só ela conhece e não se tem contato com ninguém. Provavelmente sim, contradizendo a opinião que sempre teve sobre isso. Ainda bem que as pessoas mudam de opinião. Que mundo sem graça seria esse se não se pudesse mudar!

Mas me disseram que a viram caminhando num lugar bem longe, onde ela sempre disse que iria um dia, mochila nas costas, cajado na mão e um sorriso enorme nos lábios.

Tuesday, October 10, 2006

Il était une fois...


once upon a time...
era uma vez...
uma menina de olhos grandes, escuros e uma cara de lua cheia, um corpo magro e cabelos compridos, muito compridos, que refletiam a luz do sol.
Aninha cresceu em tamanho, cultura, experiências, e tudo mais que uma pessoa normal poderia. Só que continuou menina no fundinho mais fundinho. Talvez nem tão fundo pois dava pra ver seu olhar travesso, sua alegria nas coisas simples, sua vontade de brincar e aproveitar a vida sem aquele estresse comum nos adultos que se dizem normais. Para ela o que vale é ser feliz e não prejudicar ninguém. Pra que tanta agonia em ganhar dinheiro, ser promovido, comprar isso ou aquilo, adiar sempre o sonho para quando se estiver bem estabelecido? Pra que ter vergonha de se vestir à vontade, de rir à toa e de chorar quando tem vontade? Pra que conter as verdades que devem ser ditas? Pra que ter vergonha de perdoar?
Ora, é o jeito de Ana, que está ameaçado com os episódios novos de sua vida. Parece que o mundo não a deixa ser assim. Tem que acordar e crescer como todos os outros mortais.
Cresça menina, se vire menina, acorde menina. O mundo não é um conto de fadas, nenhum sapo se transformará em príncipe encantado e no fim do arco-íris não tem nenhum pote de ouro.
- Conversa fiada, mundo. Pode até ser que eu tenha que acordar, mas quem vai decidir se vou viver feliz pra sempre ou não sou eu e mais ninguém.

Tuesday, October 03, 2006

Ouço Vozes



Sinto um cheiro bom, diferente daquele que me acompanhou nas últimas horas. Talvez rosas, não, é ainda mais gostoso e mais forte. Me lembra o cheiro das flores que exalam seu perfume à luz da lua. Me fez esquecer por um instante o odor desagradável do rio vermelho onde eu acordei, sem entender o que fazia ali. Mas a sensação é de que ainda não acordei.
Percebo uma voz familiar, que há muito tempo não ouvia. Me fez bem. Essa voz me acompanhou desde que deixei de ser menina, meu porto seguro da vida toda. Ela vinha doce, triste e estava ali, tentando resgatar algo que se perdeu. Lembrei de momentos maravilhosos, de sensações muito gostosas, de lugares lindos, sempre acompanhados dessa voz. Estranho, meu consciente sabe que junto com tudo isso também teve muita dor, mas não consigo lembrar dessa parte ruim. Parece que estou com uma venda nos olhos e só vejo o que me faz bem. Não dói mais. Estranho imaginar que essa voz não faz mais parte do meu presente.
Uma voz diferente invade o ambiente e, dessa vez, eram realmente rosas, de um vermelho tão vivo que por uns instantes me embriagou, mas logo voltei, e ouvi o silêncio que se formou entre essas duas pessoas desconhecidas, surpresas, tristes.
O pensamento de um e de outro gritava nos meus ouvidos:
“O que esse escroto faz aqui? Não tem mais o direito de estar aqui. Depois de tudo que a fez chorar nessa vida?”
“Quem é esse sujeito que nunca vi? Será que ela já conseguiu me substituir? Eu mato os dois.”
E o silêncio logo se quebrou:
- Eu sou ...- disse delicadamente a voz que não me acompanha mais, estendendo as mãos.
- Eu sei quem você é.
- Então quem é você?
- Sou só um amigo. Um amigo.
- Claro. Um amigo que traz rosas vermelhas e não pára de chorar?
- Sim. Não vejo porque não poderia. Afinal, você melhor que ninguém deveria conhecer a capacidade que ela tem de cativar as pessoas sem fazer muita força. Tenho certeza que muitos queriam vir aqui mas não tiveram coragem. Têm medo de serem mortos. Mortos de uma forma diferente da qual você a vinha matando. Você que não deveria estar aqui, ainda mais tentando fazê-la acreditar que a assassina foi ela. Isso não é justo.
- Quem é você para falar de justiça? Nunca fez ninguém sofrer?
- Sempre fui honesto, mas você tem razão, isso não me isenta de magoar as pessoas. Por isso estou chorando, porque receio não ter mais a oportunidade de dar tudo o que puder para vê-la sorrindo despreocupada, apertada contra meu peito. Não digo que fui burro, simplesmente não sabia, não acreditava e não queria sentir nunca mais essa coisa idiota que só os tolos sentem. Mas ela nunca foi tola, sempre soube que aconteceria de novo.
- E você a deixou ir embora sem dar o que ela precisava. Sorte minha não a conquistou.
- Sorte tua? Quem disse que não a conquistei? Sedução, meu amigo, é minha arma mais poderosa.
- Mas sedução sozinha não sustenta nada. E ela precisa de muito, muito mais...
Fechei meus sentidos para não perceber mais essa conversa. Não chegaria a lugar nenhum. Talvez se as duas vozes se fundissem em uma, seria possível uma completar a outra nas qualidades e jogar fora os defeitos? Não todos, pois seria muito chato, mas pelo menos aqueles que cortam e ferem.
Ah se fosse possível. Mas aí iriam querer me fundir com mais alguém e jogar fora uma parte de mim. Não. Definitivamente é melhor deixar pra lá, pois a única certeza que tenho é que eu sou a única pessoa com quem posso contar. Tenho que estar inteira à minha disposição.

Então, acorde Maria, pois ainda há muita coisa a ser vivida.
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