Monday, September 24, 2007

The point of no return

tem notícias duras de se ouvir
mas inevitáveis
e tudo pode parecer uma coisa
e na verdade ser outra
tem coisas difíceis de arrancar do coração
deve ser porque tenham que ficar lá mesmo
como um caminho pode desviar tanto?
um caminho que parecia tão certo e seguro
abre um desvio inevitável que não parece retornar
só distancia mais
então resta olhar pra frente e caminhar
e recordar
e esperar...

"Onde estás, nas nuvens ou na insensatez, me beije só mais uma vez, depois volte pra lá..."

Tuesday, September 18, 2007

Toc toc toc
a porta se abre fazendo um ruído como se a muito tempo não tivesse sido aberta. Um cheiro de mofo, de ferrugem, de coisa velha. Ao primeiro sinal de intruso a poeira se levantou, nublando tudo, as teias de aranha começaram a perder seu fabuloso desenho. Os passos atravessaram o hall de entrada, abre-se uma cortina que escondia uma janela enorme e de uma vez, um raio de sol maravilhoso penetra aquele ambiente, dispersando araínhas, ratos, diversos tipos de insetos, que trataram de encontrar uma brecha para abandonar aquele ambiente, que estava começando a se transformar. Que lugar era esse que a atraía tanto, sendo tão diferente de seu habitat natural? Mas foi para onde o labirinto a guiou, onde as vozes e os sonhos a levaram tão irresistivelmente. Seu corpo pareceu a princípio não suportar, cobriu a respiração e foi pé ante pé aprofundando naquele lugar. Estranho, mas tudo alí a atiçava a querer desbravar mais aquele lugar. Iluminado o hall, limpou, arejou, e se deliciou com o prazer que sentia. O lugar e ela estavam em sintonia.
Partiu para o próximo cômodo. Raro era quem tinha a permissão de permanecer ali, e mais raro quem podia fazer uma limpeza por alí - talvez isso nunca tivesse sido permitido a ninguém. Haviam alguns indícios de que alguém já havia penetrado aquele hall. Algumas poucas marcas quase apagadas na poeira grossa. Agora a etapa seguinte começou a receber um pouquinho de luz que vazava do hall e ela pode ver naquela escuridão. Era uma grande sala. Encontrou uma rachadura, que já estava quase separando essa sala em duas, e aí não se poderia seguir adiante. Sentou alí, esperou, gostava dalí. Estava recuperando o que podia por alí e percebeu que conforme o tempo passava essa rachadura diminuía. Contribuía para isso também, restaurando tudo a sua volta e tentando fechá-la. Quando só restava o risco no chão - esse não teve jeito ainda de tirar - ela continuou a travessia e começou a perceber que já não havia mais pegadas de visitantes.
O próximo cômodo estava muito, muito escuro. Não havia janela, nem vela. Mas ela não queria mais sair dalí. Sentia que iria encontrar algo que compensaria qualquer sacrifício um dia feito. Um tesouro? Não saberia o que era. Não poderia ter noção do que encontraria, mas sentia seu cheiro, seu calor o prazer de estar alí. Difícil, mas paciência foi uma qualidade desenvolvida nesse tempo de reclusão. Ah, teve perseverança também. Apareceram alí ainda alguns ratos, que a atacaram, a fizeram chorar, mas se foram. Uma serpente a pegou desprevenida. Adoeceu, quase não resistiu, mas sobreviveu. E levantou mais forte, mais ágil, mais esperta. Foi pacientemente tateando a parede e encontrou uma falha, que era feita de um material mais mole. Abriu uma janela alí, iluminou. Agora se podia ver o sol e a lua daquele lugar. Colocou todas as ameaças para fora, não tinha mais lugar para o lixo alí. Agora via claro, só havia as pegadas do dono alí, inconfundíveis, e o cheiro cada vez mais forte. Mais uma vez limpou tudo, e pôde admirar a beleza do lugar. Passeava agora por todos os ambientes, dançava, cantava, pensava, dormia, e era nutrida pelo próprio ar e pela própria luz que estavam alí. Perdeu o medo, e continuou paciente.
Voltou para a parte mais funda e ficou alí. Arrumou um cantinho para ela, bem aconchegante e adormeceu. Um tempo depois alguém a cutucou, pegou-a pela mão e mostrou uma passagem que até então não tinha visto. Era uma porta invertida, sem maçaneta mas que agora estava aberta. Atravessaram a porta, tropeçou, mas ele não a deixou cair. Entraram e a porta se fechou. Por um momento ficou aflita, sem saber como retornaria. Mas logo viu que não iria mais precisar sair. Alí dentro era imenso, lindo, tinha um perfume muito bom, era prazeroso ficar alí. Tinha uma iluminação especial, muito diferente do que conhecia. Para todo lado que olhava só via coisa boa, um sentimento muito gostoso. Olhou seu anjo, aquele que a tinha levado alí, era lindo. Um rosto conhecido, um cheiro conhecido, um gosto conhecido. Sorriu.
- Mostre-me tudo, cada pedacinho daqui. Como abriu aquela porta? Por que abriu pra mim?
- É a primeira vez que entro aqui. Primeira vez que vejo isso tudo. Então não posso te mostrar. Não descobri sozinho, vc me mostrou que era possível isso existir. Procurei junto, mesmo estando a muito tempo nas partes escuras sem encontrar essa porta. Não abri, ela se abriu quando desejei muito. Não queria entrar só. Vamos explorar isso tudo juntos, não há nada mais justo.

Monday, September 17, 2007

A M O R

Fujo de pronunciar essa palavra que a maioria busca como algo mais importante pra sobrevivência humana. Eu mesma que infinitas vezes me peguei em prantos por achar que para mim "essa coisa" estava perdida para sempre. Tolice. Mas que termo então usarei para substituir o insubstituível? Será mesmo que existe ou é apenas uma ilusão criada pela necessidade de algo tão grandioso? Como nós, homens, criamos todas as palavras existentes e nominamos todo sentimento já vivenciado, criamos sim uma forma de registrar essa "coisa" tão presente, tão ausente, tão indispensável. Isso que pode ser tão desprendido e também pode se tornar tão egoísta. Mas isso é contradição. Não, ele não é egoísta. O que ocorre é que vezes se confunde com aquele outro sentimento que muitas vezes anda junto. Como é egoísta a paixão. E dizem que ela não dura mais que três anos.
O amor é mais forte, maior, mais poderoso.
Mas existe por aí outro sentimento que anda muito próximo dele. O tal do ódio só aparece quando se tem algum tipo de afeto envolvido. Senão, não nos damos ao trabalho, bastaria a indiferença. Como pode um sentimento tão nobre se transformar em algo tão desprezível? Gosto amargo, experiência que é preferível nunca passar.
Mas quem sou eu para analisar tais sentimentos? Apenas alguém que já passou por cada um deles e que ainda tem a convicção que por nenhum deles se passa em vão.
E o mais importante é que existe o tal do perdão, aquela outra preciosidade que não faz só bem a quem é perdoado, mas principalmente a quem perdoa. Limpa, regenera, deixa viver.
Só que nós, humanos, nem sempre conseguimos. Mas não custa tentar, deixar-se aberto. Uma hora dá jeito.


"É só o amor, é só o amor
que conhece o que é verdade
o amore é bom, não quer o mal,
não sente inveja ou se envaidece...
Ainda que eu falasse a língua dos homens,
que eu falasse a língua dos anjos,
sem amor eu nada seria"
Site Meter