Turbilhão
Acordo ainda noite, pego meu jipe e vou pra estrada.
Vontade louca de sair por aí sem destinho, levando comigo minha mochila, meu violão, água e minhas músicas.
Mais nada, mais ninguém. Não tem jeito.
Saí, peguei o rumo pro sul, liguei o som nas músicas de sempre, que ultimamente estão furando de tanto tocar. Não ligo, viajo mais ainda quando escuto. Volto a lugares e momentos inesquecíveis e abro um largo sorriso. Olho pro lado e o cara do carro do lado ainda acha que estou sorrindo pra ele. Quase jogou o celular dentro do meu carro. Hehehe, ainda tive que parar em alguns sinais antes de pisar até 110 km/h. Não passo muito disso não, ainda estou acostumando com meu carro novo na estrada. Mas ele foi feito pra estrada e eu estou adorando isso.
A Lua cheia ainda estava lá, bem na minha frente dando seu último brilho antes de amanhecer. Perigo, lua à frente. Fico hipnotizada mesmo, não tem jeito. Ainda bem que tinham poucos companheiros madrugadores. Meu amigo do sinal acabava de passar por mim dando uma buzinadinha e sumiu. Só eu e lua novamente. Hora de resolver pra onde ir.
Achei uma estradinha bacana entrando alí no Topo do Mundo. O sol já estava apontando. Uma neblina gostosa demais, que abri os vidros e deixei entrar no carro.
A paisagem tava linda, o clima geladinho começava a esquentar, e minha voz começou a perder a timidez. Eu parecia uma maluca cantando tudo que tocava.
Achei uns vilarejos interessantes pelo caminho. Gente sentada na calçada, pés no chão, jogando conversa fora, buteco enchendo, e a igrejinha já abria a porta para a missa das 7. Desci, comi um "pãozim" de queijo como uma boa mineira e um pingado. Bati umas fotos, e entrei um "cadim" na igrejinha pra "mode bater uma prosa" com o chefe. Engraçado como a muito não me dava essa oportunidade. Com a mudança radical que o rumo da minha vida levou a um tempo, foi também embora o hábito dominical e muitas vezes diário de estar alí. Abri mão disso como de muitas coisas importantes na minha vida. E acostumei. As pessoas já começavam a chegar para a missa mas eu me desliguei e era como se fôssemos só eu e Ele.
- Pois é, amigo, quanto tempo não venho te visitar.
- Verdade, não vem fisicamente, mas sempre estamos conversando.
- É. Descobri que não era tão necessário ter que vir, mesmo sendo agradável. Te achava sempre em todo lugar.
- E por que hoje resolveu me dar a honra de sua presença?
- Tava passando... E deu saudade. E você sabe o turbilhão que de repente está minha vida, e meu corpo, e minha mente...
- E quer se abrir? Quer ajuda?
- Quero. Queria um rumo.
- Você primeiro tem que saber o que quer. Aí sua vida toma rumo. Aí você vai ter toda a ajuda que precisa e até uma mãozinha extra. Mas enquanto não definir isso fica confuso ajudar você.
- Eu sei disso... Ultimamente é o que eu mais sei... Mas tava difícil saber pra onde ir. E isso só eu posso saber mesmo. Mas agora começo a desejar algo forte e querer um rumo, mesmo parecendo impossível. Minha cabeça deu um nó, meu coração acordou e meu corpo me responde com um turbilhão. Aí apesar das aparências indicarem o contrário e me deixarem triste e sem alternativa além do querer, quando paro pra pensar, tudo faz sentido, e o nó se desfaz.
- Você já tem a resposta. Saiba o que quer e as coisas se ajeitarão naturalmente.
Dizendo isso se calou, e eu me calei. Fiquei em silêncio por alguns instantes, deixei aquele refúgio.
Entrei no jipe, tirei o cd, resolvi deixar as músicas do rádio tocar. Segui caminho pra não sei onde. E sorri quando a música que furou no cd estava lá, tocando na radio local do vilarejo.
E antes que me desse conta, o celular vibrou uma mensagem: "tu es où? J'arrive, ne bouge pas."
Vontade louca de sair por aí sem destinho, levando comigo minha mochila, meu violão, água e minhas músicas.
Mais nada, mais ninguém. Não tem jeito.
Saí, peguei o rumo pro sul, liguei o som nas músicas de sempre, que ultimamente estão furando de tanto tocar. Não ligo, viajo mais ainda quando escuto. Volto a lugares e momentos inesquecíveis e abro um largo sorriso. Olho pro lado e o cara do carro do lado ainda acha que estou sorrindo pra ele. Quase jogou o celular dentro do meu carro. Hehehe, ainda tive que parar em alguns sinais antes de pisar até 110 km/h. Não passo muito disso não, ainda estou acostumando com meu carro novo na estrada. Mas ele foi feito pra estrada e eu estou adorando isso.
A Lua cheia ainda estava lá, bem na minha frente dando seu último brilho antes de amanhecer. Perigo, lua à frente. Fico hipnotizada mesmo, não tem jeito. Ainda bem que tinham poucos companheiros madrugadores. Meu amigo do sinal acabava de passar por mim dando uma buzinadinha e sumiu. Só eu e lua novamente. Hora de resolver pra onde ir.
Achei uma estradinha bacana entrando alí no Topo do Mundo. O sol já estava apontando. Uma neblina gostosa demais, que abri os vidros e deixei entrar no carro.
A paisagem tava linda, o clima geladinho começava a esquentar, e minha voz começou a perder a timidez. Eu parecia uma maluca cantando tudo que tocava.
Achei uns vilarejos interessantes pelo caminho. Gente sentada na calçada, pés no chão, jogando conversa fora, buteco enchendo, e a igrejinha já abria a porta para a missa das 7. Desci, comi um "pãozim" de queijo como uma boa mineira e um pingado. Bati umas fotos, e entrei um "cadim" na igrejinha pra "mode bater uma prosa" com o chefe. Engraçado como a muito não me dava essa oportunidade. Com a mudança radical que o rumo da minha vida levou a um tempo, foi também embora o hábito dominical e muitas vezes diário de estar alí. Abri mão disso como de muitas coisas importantes na minha vida. E acostumei. As pessoas já começavam a chegar para a missa mas eu me desliguei e era como se fôssemos só eu e Ele.
- Pois é, amigo, quanto tempo não venho te visitar.
- Verdade, não vem fisicamente, mas sempre estamos conversando.
- É. Descobri que não era tão necessário ter que vir, mesmo sendo agradável. Te achava sempre em todo lugar.
- E por que hoje resolveu me dar a honra de sua presença?
- Tava passando... E deu saudade. E você sabe o turbilhão que de repente está minha vida, e meu corpo, e minha mente...
- E quer se abrir? Quer ajuda?
- Quero. Queria um rumo.
- Você primeiro tem que saber o que quer. Aí sua vida toma rumo. Aí você vai ter toda a ajuda que precisa e até uma mãozinha extra. Mas enquanto não definir isso fica confuso ajudar você.
- Eu sei disso... Ultimamente é o que eu mais sei... Mas tava difícil saber pra onde ir. E isso só eu posso saber mesmo. Mas agora começo a desejar algo forte e querer um rumo, mesmo parecendo impossível. Minha cabeça deu um nó, meu coração acordou e meu corpo me responde com um turbilhão. Aí apesar das aparências indicarem o contrário e me deixarem triste e sem alternativa além do querer, quando paro pra pensar, tudo faz sentido, e o nó se desfaz.
- Você já tem a resposta. Saiba o que quer e as coisas se ajeitarão naturalmente.
Dizendo isso se calou, e eu me calei. Fiquei em silêncio por alguns instantes, deixei aquele refúgio.
Entrei no jipe, tirei o cd, resolvi deixar as músicas do rádio tocar. Segui caminho pra não sei onde. E sorri quando a música que furou no cd estava lá, tocando na radio local do vilarejo.
E antes que me desse conta, o celular vibrou uma mensagem: "tu es où? J'arrive, ne bouge pas."
"Suppose I never ever let you Kiss me so sweet and so sooooooft..."


