Pacto
Mônica se apronta na casa de Edu para ir à festa. Toma um banho demorado, lava seus cabelos, hidrata seu corpo, com o pensamento longe. Estava alegre, como se tivesse acabado de acordar para o mundo. Estava leve. Se permitiu até mesmo cantarolar, enquanto ele esperava pacientemente no puf da sala, já pronto. Cinco minutos eram suficientes para ele se aprontar, parecia contente, colocou uma música animada e alta enquanto aguardava. Saíram juntos, como de costume, só que o destino final seria cada um para um lado, interesses diferentes, pessoas diferentes, lugares diferentes. Um telefonema faz mudar um pouco os planos, pelo menos para a primeira parte da noite. Eles resolvem encontrar seus amigos em comum. Por ela ficaria ali por horas, mas não fazia mais muito sentido. Deu um beijo no rosto de Edu e se foi. Ainda tinha um compromisso que não podia se atrasar.
Ouvia distraidamente o que dizia o palestrante, imaginando o que Edu poderia aprontar, mas lembra-se que, agora, ela poderia fazer o que quisesse também e se acalma. Mas seus dedos não obedeceram sua consciência e a mensagem foi mais rápida, pedindo ao menos um pouquinho de juízo para seu amigo. Não adiantava se arrepender, foi. Volta sua atenção onde deveria estar e não demorou para ter a resposta. Ficou tensa. Não esperava que ele pedisse para ir com ela. Não essa noite. Já estava preparada para se virar sozinha.
Demorou, mas resolveu não ceder. Mandou um beijo e disse que aproveitasse. Foi.
- Muito bem, Dona Mônica. Conseguiu tomar a decisão certa - disse aquela vozinha interior.
Encontrou seus amigos, matou saudades, dançou, se divertiu, não viu a hora passar.
O lugar era legal, tudo perfeito. Riu muito das cantadas comuns e curtiu as originais, mas ninguém a afetou. Conheceu gente nova, gente interessante. Mas percebeu que continua muito exigente.
Edu se empanturrou de massa, despediu de seus amigos e foi desbravar a noite em sua nova cidade, que já não era tão nova assim, mas que já amava. Estava exatamente onde gostaria e foi fácil sair a procura de algo. Passou por alguns bares, bebendo, observava as pessoas e mantinha o ar blasé. Queria algo mais animado. Encontrou uma dessas boates não muito bem frequentadas, isso não tinha a mínima importância. E a essa altura, já embriagado, as pessoas já se tornaram bem mais interessantes. Se sentiu bem, seduziu, ganhou, bebeu, se divertiu. Chegou em casa acompanhado, acordou sozinho. Não conseguia se lembrar direito como foi a tão esperada noite, nem sequer do nome da moça. A cabeça explodia, o lençol fedia. Levantou em busca urgente de um cigarro e uma ducha. Achou num guardanapo de papel em cima da TV um número de telefone. Descobriu o nome da moça. Guardou na gaveta da cômoda. Poderia ser útil para o futuro. Sentou-se e pegou seu livro.
Tornou a levantar, foi até a gaveta da cômoda e jogou o guardanapo fora. Não fazia sentido. À noite comeria ao lado de sua companhia favorita.
Mônica acordou tarde, se arrumou e saiu para um churrasco. Caiu a noite, se lembrou que essa hora deveria estar no seu esconderijo preferido. Mas como os passos de seu amigo eram tão previsíveis, pegou o carro e foi pra casa.
Ele come sozinho, arrepende-se de ter jogado o guardanapo fora e de outras coisas. E repara: a escova de dentes não está mais ali.
Resolve levá-lo,
encontrou seus amigos, matou saudades, dançou, se divertiu, não viu a hora passar. O lugar era legal, tudo perfeito. Conheceu gente nova, gente interessante, quando dava, pois estava com um belíssimo guarda-costas do lado, que ora vinha a calhar e ora atrapalhava. Edu se adapta bem, canta, dança, joga charme e permanece intocável. Vão embora juntos. Ela coloca sua escova no lugar.
Ouvia distraidamente o que dizia o palestrante, imaginando o que Edu poderia aprontar, mas lembra-se que, agora, ela poderia fazer o que quisesse também e se acalma. Mas seus dedos não obedeceram sua consciência e a mensagem foi mais rápida, pedindo ao menos um pouquinho de juízo para seu amigo. Não adiantava se arrepender, foi. Volta sua atenção onde deveria estar e não demorou para ter a resposta. Ficou tensa. Não esperava que ele pedisse para ir com ela. Não essa noite. Já estava preparada para se virar sozinha.
Demorou, mas resolveu não ceder. Mandou um beijo e disse que aproveitasse. Foi.
- Muito bem, Dona Mônica. Conseguiu tomar a decisão certa - disse aquela vozinha interior.
Encontrou seus amigos, matou saudades, dançou, se divertiu, não viu a hora passar.
O lugar era legal, tudo perfeito. Riu muito das cantadas comuns e curtiu as originais, mas ninguém a afetou. Conheceu gente nova, gente interessante. Mas percebeu que continua muito exigente.
Edu se empanturrou de massa, despediu de seus amigos e foi desbravar a noite em sua nova cidade, que já não era tão nova assim, mas que já amava. Estava exatamente onde gostaria e foi fácil sair a procura de algo. Passou por alguns bares, bebendo, observava as pessoas e mantinha o ar blasé. Queria algo mais animado. Encontrou uma dessas boates não muito bem frequentadas, isso não tinha a mínima importância. E a essa altura, já embriagado, as pessoas já se tornaram bem mais interessantes. Se sentiu bem, seduziu, ganhou, bebeu, se divertiu. Chegou em casa acompanhado, acordou sozinho. Não conseguia se lembrar direito como foi a tão esperada noite, nem sequer do nome da moça. A cabeça explodia, o lençol fedia. Levantou em busca urgente de um cigarro e uma ducha. Achou num guardanapo de papel em cima da TV um número de telefone. Descobriu o nome da moça. Guardou na gaveta da cômoda. Poderia ser útil para o futuro. Sentou-se e pegou seu livro.
Tornou a levantar, foi até a gaveta da cômoda e jogou o guardanapo fora. Não fazia sentido. À noite comeria ao lado de sua companhia favorita.
Mônica acordou tarde, se arrumou e saiu para um churrasco. Caiu a noite, se lembrou que essa hora deveria estar no seu esconderijo preferido. Mas como os passos de seu amigo eram tão previsíveis, pegou o carro e foi pra casa.
Ele come sozinho, arrepende-se de ter jogado o guardanapo fora e de outras coisas. E repara: a escova de dentes não está mais ali.
Resolve levá-lo,


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