Sous le ciel de Paris
Com os olhos fixos naquela torre de metal encoberta por algumas nuvens, devoro meu sanduíche e bebo com vontade meu refrigerante. Ops, deixei cair um pedacinho lá embaixo, quase desequilibrei. Meu pensamento está longe, nem escuto o chinês que insiste em tirar uma fotografia minha, alí mesmo, de pernas cruzadas, matando a fome em frente ao cartão postal mais famoso do mundo. Bom, nesse dia e para mim, isso era uma verdade independente de haver outros mais belos e mais famosos. Acabei cedendo e me virei para a foto. Ele queria algo que representasse o lugar, achei graça e fiquei na minha pois eu ali, no meu lugar favorito de passar alguns minutos do dia, estava realmente parecendo uma parisiense. Até o cabelão eu tinha cortado, estava logo acima da nuca, e após uma ano inteiro respirando aquela cultura pela segunda vez, dava pra fazer uma graça. Conversamos um pouco, seu francês estava bem, mas não me senti bem. Lembro-me de meus pesadelos com orientais. Pararam há pouco tempo, não prestei atenção em qual época, mas ainda me trazem lembranças desagradáveis. Olhei mais um pouco o topo da torre, lembrei da primeira vez que estive lá em cima. Era tudo muito diferente, tinha alguém muito importante comigo. Muito importantepra mim. Desci da mureta, desci as escadarias e atravessei o lago. As fontes estavam ligadas. Estava tudo muito lindo. Caminhava na direção do meu objetivo, sentia que tinha alguém me esperando lá em cima. Mas se o tempo não abrir não terá jeito, o último andar fica fechado. Olhei pro céu, tudo azul, exceto a pela nuvenzinha que teimava em ficar no alto da torre. Desse jeito não vão me deixar subir, mas vou em direção da entrada e um"très joli garçon" dá uma piscadinha e libera o elevador até o último andar. Muito bizarra a sensação que tive. Não parecia muito real. Subi até onde eu desejava, não havia ninguém lá. Tudo só meu. Senti a presença de alguém, me virei e lá estava uma figura que, ao mesmo tempo que não sabia quem era, me parecia familiar. Se aproximou e fiquei assustada.- Quem é você?
- Sou o dono do seu tempo. Seu passado, presente e futuro.
- O que quer de mim?
- Quero levar seu passado, roubar sua história. Sua históriaé minha, você não a tem mais.
- Por que logo a minha história te interessa? Por que a quer?
- Em todos os lugares que você visitou eu estava lá. Todas as lágrimas que você derramou eu estava lá, todos os sorrisos quevocê sorriu eu estava lá. Todas as emoções que você teve eu também tive, todo o prazer que você sentiu eu também senti. E agora não tenho mais esse poder. Isso justifica eu querer tudo só pra mim. Você não terá mais nenhuma recordação de nada disso, nenhum objeto que te remeta ao passado. Tudo será apagado. Você não viveu nada que acha que viveu. Tudo me pertence agora.
- E como me encontrou aqui? Ninguém sabia que vinha aqui.
- Consegui essa última informação, guiado pelo meu coração que você se refugiaria no seu passado. Não foi difícil te encontrar aqui nas alturas onde mais prefere estar.
- Tem razão. Adoro alturas. Mas não vim aqui me refugiar, vim vero cometa. E não concordo com o que você diz. Não permito que roube meu passado pra você. Pra ninguém. Tenho meus elos com tudo que vivi.
- Não tem mais. Está tudo agora trancado num lugar seguro, onde ninguém mais terá acesso a não ser que entre lá. Não tem como sair mais de lá.
- Não, o que eu vivi não tem como roubar de mim. Pode esconder o que quiser de mim, mas dentro da minha cabeça e do meu coração está tudo gravado num lugar muito seguro. Só eu tenho acesso. Pode ficar com tudo que conseguiu pegar. Isso não vai me fazer falta.
Nesse instante, aquele que se dizia dono do meu tempo subiu no ponto mais alto da torre,sumiu por entre as nuvens, se foi. Olhei pra cima, as nuvens foram embora, o céu abriu, o por do sol estava maravilhoso.
Lembrei por que havia subido alí. Era o lugar perfeito para ver o cometa que não podia deixar de ver. Ele apareceu radiante logo acima do sol, um pouco a esquerda. A cada minuto que passava sua calda crescia e brilhava mais. A cena foi linda, registrei de forma que ninguém pudesse roubá-la de mim. Tirei o binóculo para tentar ver ainda mais perto. Desequilibrei e o binóculo caiu. Senti um abraço forte em volta da minha cintura, vindo por trás e que não me deixou cair. Não me virei. Deixei-me ficar alí aproveitando o momento. O cometa iluminando o céu de Paris, meu céu.
Meu passado indo.
E meu presente lindo.
- Sou o dono do seu tempo. Seu passado, presente e futuro.
- O que quer de mim?
- Quero levar seu passado, roubar sua história. Sua históriaé minha, você não a tem mais.
- Por que logo a minha história te interessa? Por que a quer?
- Em todos os lugares que você visitou eu estava lá. Todas as lágrimas que você derramou eu estava lá, todos os sorrisos quevocê sorriu eu estava lá. Todas as emoções que você teve eu também tive, todo o prazer que você sentiu eu também senti. E agora não tenho mais esse poder. Isso justifica eu querer tudo só pra mim. Você não terá mais nenhuma recordação de nada disso, nenhum objeto que te remeta ao passado. Tudo será apagado. Você não viveu nada que acha que viveu. Tudo me pertence agora.
- E como me encontrou aqui? Ninguém sabia que vinha aqui.
- Consegui essa última informação, guiado pelo meu coração que você se refugiaria no seu passado. Não foi difícil te encontrar aqui nas alturas onde mais prefere estar.
- Tem razão. Adoro alturas. Mas não vim aqui me refugiar, vim vero cometa. E não concordo com o que você diz. Não permito que roube meu passado pra você. Pra ninguém. Tenho meus elos com tudo que vivi.
- Não tem mais. Está tudo agora trancado num lugar seguro, onde ninguém mais terá acesso a não ser que entre lá. Não tem como sair mais de lá.
- Não, o que eu vivi não tem como roubar de mim. Pode esconder o que quiser de mim, mas dentro da minha cabeça e do meu coração está tudo gravado num lugar muito seguro. Só eu tenho acesso. Pode ficar com tudo que conseguiu pegar. Isso não vai me fazer falta.
Nesse instante, aquele que se dizia dono do meu tempo subiu no ponto mais alto da torre,sumiu por entre as nuvens, se foi. Olhei pra cima, as nuvens foram embora, o céu abriu, o por do sol estava maravilhoso.
Lembrei por que havia subido alí. Era o lugar perfeito para ver o cometa que não podia deixar de ver. Ele apareceu radiante logo acima do sol, um pouco a esquerda. A cada minuto que passava sua calda crescia e brilhava mais. A cena foi linda, registrei de forma que ninguém pudesse roubá-la de mim. Tirei o binóculo para tentar ver ainda mais perto. Desequilibrei e o binóculo caiu. Senti um abraço forte em volta da minha cintura, vindo por trás e que não me deixou cair. Não me virei. Deixei-me ficar alí aproveitando o momento. O cometa iluminando o céu de Paris, meu céu.
Meu passado indo.
E meu presente lindo.
"Sous le ciel de Paris
S'envole une chanson
Hum Hum
Elle est née d'aujourd'hui
Dans le coeur d'un garçon
Sous le ciel de Paris
Marchent des amoureux
Hum Hum
Leur bonheur se construit
Sur un air fait pour eux
Sous le pont de Bercy
Un philosophe assis
Deux musiciens quelques badauds
Puis les gens par milliers
Sous le ciel de Paris
Jusqu'au soir vont chanter
Hum Hum
L'hymne d'un peuple épris
De sa vieille cité
Près de Notre Dame
Parfois couve un drame
Oui mais à Paname
Tout peut s'arranger
Quelques rayons
Du ciel d'été
L'accordéon
D'un marinier
L'espoir fleurit
Au ciel de Paris
Sous le ciel de Paris
Coule un fleuve joyeux
Hum Hum
Il endort dans la nuit
Les clochards et les gueux
Sous le ciel de Paris
Les oiseaux du Bon Dieu
Hum Hum
Viennent du monde entier
Pour bavarder entre eux
Et le ciel de Paris
A son secret pour lui
Depuis vingt siècles il est épris
De notre Ile Saint Louis
Quand elle lui sourit
Il met son habit bleu
Hum Hum
Quand il pleut sur Paris
C'est qu'il est malheureux
Quand il est trop jaloux
De ses millions d'amants
Hum Hum
Il fait gronder sur nous
Son tonnerr' éclatant
Mais le ciel de Paris
N'est pas longtemps cruel
Hum Hum
Pour se fair' pardonner
Il offre un arc en ciel"


1 Comments:
c´est la fucking vie
;)
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