Wednesday, April 23, 2008

Caixinha mágica que registra quase tudo

Sentada aqui na sala de espera do acumpunturista, escuto uma música que me levou novamente às trilhas e paisagens da Espanha. Lugares únicos, simples, encantadores, sobre os quais ainda não escrevi. Tanta coisa pra contar que não consegui ainda colocar no papel. Talvez por que achasse que nada que eu escrevesse reproduziria o que eu vivi. Sabe aquela sensação de tirar uma foto de um lugar maravilhoso e quando vai mostrar a alguém vê que a foto não é tão linda assim? Que a pessoa que a viu não acharia o mesmo que você, pois aquela fotografia não captou nem metade da beleza do lugar? A magia, a emoção, a dimensão não passa. Mas mesmo assim a gente tenta. Pelo menos as fotografias serão para mim um retorno ao lugar, ao tempo. Boa lembrança de algo bom. Acho que é para isso que servem os retratos, para a pessoa que tirou, que participou. O resto é lucro. A admiração dos observadores pode vir ou não.
Naquelas trilhas do caminho eu tinha vontade de registrar tudo e era o que eu fazia. Quantas flores foram fotografadas? Momentos que pareciam sair de sonhos foram filmados - lembro-me de cavalos e ovelhas saindo no meio de névoas no alto dos pirineus - barulho do vento, do rio e o canto dos passarinhos foram gravados. Mas havia uma coisa que somente a memória poderia registrar. O cheiro de cada lugar, cada flor, cada clima. Engraçado que poucos dias antes de embarcar havia assistido a um filme que falava sobre isso - O perfume - um cara que tentava desesperadamente guardar os cheiros que sentia.
Como eu queria guardar cada cheiro do caminho!
A música celta termina, mas minha cabeça continua a viajar. Lembro-me desta noite, um beijo muito bom que não deveria acontecer. Por quê? Porque não quero mais problemas. Acordo com aquele gosto bom, pego minha filha, ganho um sorriso lindo e a aconchego no peito. Com um flash olho para a porta e tenho esse momento registrado para sempre.
Mas não sei bem o porquê.


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